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Centralização do MEV coloca Ethereum em risco, aponta pesquisa

O valor máximo extraível (MEV) na rede Ethereum está se tornando cada vez mais centralizado. As atividades de arbitragem estão se concentrando nas mãos de poucos, que controlam como as transações são organizadas. Essa mudança é resultado do trabalho de um grupo crescente de jogadores, os chamados “searchers”, que frequentemente operam em parceria com construtores que montam os blocos na rede.

Para entender o que é o MEV, pense nos lucros que validadores de blockchain e outros participantes podem conseguir ao reordenar as transações de um bloco antes que ele seja finalizado. Na Ethereum, isso geralmente é feito com ações como arbitragem, front-running ou ataques do tipo “sanduíche”, onde traders aproveitam variações de preços para aumentar seus ganhos.

Um estudo recente, intitulado “Measuring CEX-DEX Extracted Value and Searcher Profitability: The Darkest of the MEV Dark Forest”, analisou como esses arbitradores se beneficiam das diferenças de preço entre exchanges centralizadas (CEX) e descentralizadas (DEX). Eles costumam conseguir uma vantagem em relação a traders menores, que não têm acesso às mesmas informações.

Os pesquisadores destacaram que, atualmente, três construtores—beaverbuild, Titan e rsync—dominam essa área no Ethereum. E, o que é mais relevante, dois deles têm parcerias estreitas com seus próprios buscadores. Essa prática gera preocupações sobre a descentralização e a segurança da rede, uma vez que favorece os participantes que já estão no topo, permitindo que eles estabeleçam preços que prejudicam os menores e aumentam a vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Além disso, a centralização na arbitragem entre CEX e DEX, por meio de vínculos exclusivos com construtores de blocos, intensifica as pressões para que a rede Ethereum se concentre ainda mais. Isso é um ponto crucial ao pensar no futuro e na expansão do ecossistema da camada 1.

MEV: um desafio perene para a rede Ethereum

Uma das propostas em discussão na Ethereum é a Separação Propositor-Construtor (PBS). Esse modelo permite que os proponentes de blocos contratem a construção a empresas que atuam como construtores. A ideia inicialmente era melhorar a resistência à censura. Porém, há críticas de que esse modelo também acaba centralizando a rede e criando desvantagens para os menores participantes.

Em março, um pesquisador anônimo, conhecido como Malik672, sugeriu que a construção de blocos precisa de democratização. Isso ajudaria milhares de participantes a colaborar, potencialmente aumentando a descentralização da rede. Os dados mostram que 80% dos blocos propostos vêm de apenas duas entidades, o que levanta bandeiras vermelhas sobre a descentralização e equidade.

Vitalik Buterin, cofundador da Ethereum, também comentou sobre o tema. Ele propôs a criação de infraestrutura alternativa, incluindo exchanges de criptomoedas, como uma forma de mitigar os efeitos do MEV. Buterin acredita que os arbitradores poderiam ser privados dos dados necessários para lucrar com a reordenação de transações, reduzindo a exploração dentro do sistema.

A dinâmica que envolve o MEV continua sendo um tema quente na comunidade cripto. É fundamental acompanhar essas mudanças, pois elas podem impactar tanto estratégias de traders quanto a própria estrutura da rede.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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